Fotos e Histórias · Photos and Stories

Pastelaria na Rotunda da Boavista, Porto

A lista com todos os bolos que identificámos e vamos ter no livro Fabrico Próprio está agora completa. Contudo, nem todos os bolos têm fotografia, pois não conseguimos ainda, nas nossas muitas incursões por pastelarias das zonas do Porto, Lisboa e mais além, fotografar todos os espécimens que encontramos. Por isso precisamos da vossa ajuda.

The list of all the cakes we have identified and will feature in the Fabrico Próprio cake is now complete. However, not all the cakes there have a photo, as we haven’t, in our many incursions in pastelarias in the Porto and Lisboa areas, and beyond, been able to photograph all the specimens we have found. And that’s why we need your help.

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Grazie Giorgio!

Muitas vezes nos perguntam como é que nos lembrámos de começar a pensar em bolos e na sua ligação com o design, e porque é que nos metemos nisto a ponto da ideia inicial ter agora uma dimensão que nem nós prevíamos alcançar, e receber uma atenção que nunca pensámos ter.

Bom, o culpado inicial é o designer veneziano Giorgio Camuffo, que nós conhecemos durante o tempo em que vivemos em Itália e trabalhámos na Fabrica, o centro de pesquisa em comunicação da Benetton. O Giorgio costumava liderar o programa de workshops da Fabrica, e para além do seu trabalho como professor na IUAV tem o seu estúdio de design. E é a partir do seu estúdio que ele publica a revista Sugo, que junta contribuições dos seus amigos de todos os pontos do Mundo e que ele publica quando lhe apetece. E foi para a Sugo que o Giorgio pediu ao Frederico, no fim de 2005, para mandar notícias de Lisboa, pois a Sugo iria ter uma nova secção de notícias de várias cidades.

We often get asked how did we thought of starting to think about cakes and their connection to design, and why did we get ourselves in this to the point our initial idea now reaches a dimension we could never even start to ponder, and to get the attention we never thought to have.

Well, the initial culprit of all this is the Venetian designer Giorgio Camuffo, whom we met during the time we lived in Italy and worked in Fabrica, Benetton’s communication research centre. Giorgio used to head Fabrica’s workshop programme, and besides his work as a professor at IUAV he runs his own design studio. And it is from his studio that he publishes Sugo Magazine, that gather contributions from his friends form all over the world, and that he publishes whenever he wants to. And it was for Sugo that Giorgio asked Frederico, in the end of 2005, to send news from Lisbon, as Sugo was going to have a new section dedicated to news from various cities.

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Origens · Origins

Pouco mais de uma semana depois do lançamento do site, gostaríamos de agradecer aos mais de 3000 visitantes que já tivemos, vindos de todos os continentes (obrigado Google Analytics!), e especialmente aos que nos deixaram comentários nos vários bolos e nos posts que temos feito. A vossa participação significa muito para nós, e gostaríamos que continuassem a dar-nos ideias, sugestões de bolos e sobretudo nos contassem as histórias que possam saber sobre cada um deles.

Também achamos que agora é uma boa altura para fazer uma ressalva: em nome da objectividade e para nos impor a nós próprios limites de observação e trabalho, decidimos que o livro Fabrico Próprio se dedicará exclusivamente bolos de uma porção/unidade que se encontram disponíveis em potencialmente todas as pastelarias e cafés de todo o país.

Tendo dito isto, para nós não contam nem bolos de fatia (por isso não falarmos do Pão de Ló ou do Bolo Rei, para citar dois “pesos pesados” deste tipo de bolos), nem especialidades regionais (como os Fofos de Belas, as queijadas de Sintra, os Dom Rodrigos, os Ovos Moles ou as Cristas de Galo, ou as tortas de Guimarães, aqui numa fotografia da Rita Marquito), nem exemplos de doçaria conventual (como as Encharcadas ou as Barrigas de Freira). Também não incluímos miniaturas ou bolos de sortido fino – achamos que tudo isto dava para outros livros…

Podem mesmo assim encontrar na nossa lista (que ainda não está completa no site) alguns bolos que poderão ser vistos como bolos regionais ou especialidades conventuais, como são os exemplos dos Jesuítas (originários de Santo Tirso), os Pastéis de Nata (que evoluíram de uma receita do Mosteiro de Santa Maria de Belém para os Pastéis de Belém, e hoje estão espalhados por todo o Mundo como Natas) ou as Tigeladas (também conhecidas como Tigeladas de Abrantes). Contudo, estes três bolos, e todos os outros no nosso livro, são hoje “propriedade comum” dos portugueses, e quando comemos cada um deles não pensamos na sua origem. E isso para nós faz toda a diferença.

Naturalmente gostaríamos de ouvir as vossas opiniões sobre isto.

Just over a week after the website’s launch, we would like to thank the over 3000 visitors we received from all continents (thank you Google Analytics!), and especially the ones who left comments on the various cakes and on the posts we’ve been writing. Your participation means a lot to us, and we would like you to keep giving us ideas, suggestions of cakes and above all that you tell us the stories that you may know about each one of them.

We also think now is a good time to make a : in the name of objectivity and to set ourselves our own limits of observation and works, we decidied that the Fabrico Próprio book will be exclusively dedicated to one portion/unit cakes that are to be found in potentially all the cake shops and cafés in the country.

Having said that, to us cakes such as sliced cakes (that’s why we don’t mention Pão de Ló or Bolo Rei, to quote two “heavyweights” of thse kind of cakes), regional specialties (like Fofos de Belas, Queijadas de Sintra, Dom Rodrigos, Ovos Moles or Cristas de Galo, or Tortas de Guimarães, here in a photo from Rita Marquito), examples of conventual sweets (like Encharcadas or Barrigas de Freira) are not eligible. We also don’t include miniatures or assorted biscuits – we reckon all this would fuel other books…

You can still find in our list (which is still incomplete on the site) some cakes that canbe seen as regional cakes or convent specialties, such as Jesuítas (that come from Santo Tirso), Pastéis de Nata (that evolved form a recipe from the Monastery of Santa Maria de Belém to Pastéis de Belém, and today are scattered all over the world as Natas) or Tigeladas (also known as Tigeladas de Abrantes). However, these three cakes, and all the ones in our book, are today “common property” of all Portuguese, and when we eat each of them we don’t think about their origin. And to us that makes all the difference.

We would naturally like to hear your opinions on this.

Leila’s Shop

Em Londres encontrámos, graças à Bethany, uma embaixada perfeita para a Pastelaria Semi-Industrial Portuguesa.
Chama-se Leila’s Shop, é um café/mercearia com 3 mesas, um balcão e uma cozinha tudo na mesma sala, onde o pequeno-almoço vai à mesa na frigideira, o leite UCAL bebe-se com palhinha e onde ao domingo (e só ao domingo) há natas e bolos de arroz. A Leila é a dona e escolhe criteriosamente o que vende na sua loja: legumes locais, rábano polaco e chocolate francês. E claro, algumas pérolas de Portugal como água das pedras e os nossos dois mais famosos bolos.

Na manhã do último domingo de Outubro também estava a vender os livros das 100 cadeiras do Martino Gamper. Ele apareceu mesmo para um café na esplanada (está na fotografia a falar ao telemóvel, na última foto “depois do salto”), e depois de conversarmos com ele comprámos o livro.

A Leila sabe que livros e bolos têm tudo a ver.
Fica na Calvert Avenue, mesmo a chegar a Arnold Circus, em Shoreditch.

A irmã da Leila, a Alix (que nos explicou as ligações da família a Portugal), fez um post no blog dela sobre a loja após a nossa visita.

In London we found, thanks to Bethany, a perfect embassy for Semi-Industrial Portuguese Confectionery.
It’s called Leila’s Shop, it’s a café/deli with 3 tables, a counter and a kitchen all in the same room, where breakfast arrives to the table in the pan, UCAL milk is dunk with a straw and where on Sundays (and only on Sundays) there’s natas and bolos de arroz (rice cakes). Leila is the owner and she chooses carefully what she sells in her shop: local vegetables, Polish horseradish and French chocolate. And naturally, some Portuguese pearls like água das pedras (the best carbonated water in the world) and our two most famous cakes.

On the morning of the last Sunday of October it was also selling Martino Gamper’s 100 chair books. He even popped in for a coffee (he’s talking on the phone in the last photo “after the jump”), and after having a chat with him we bought the book.

Leila knows books and cakes are a perfect match.
It’s on Calvert Avenue, close to Arnold Circus, in Shoreditch.

Leila’s sister, Alix (who explained us the family’s connections to Portugal), wrote a post on her blog about the shop after our visit.

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Autores · Authors

Rita João, Pedro Ferreira + Frederico Duarte

Frederico Duarte (1979) estudou design de comunicação em Lisboa e trabalhou como designer na Malásia e Itália. Em 2010 concluiu o mestrado em crítica de design na School of Visual Arts em Nova Iorque. Enquanto crítico e curador de design tem desde 2006 escrito artigos e ensaios, contribuído para livros e catálogos, dado palestras e workshops, comissariado exposições e organizado eventos sobre design, arquitectura e criatividade. Actualmente lecciona na ESAD Caldas da Rainha e na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. — 05031979.net

Rita João e Pedro Ferreira estudaram Design na Faculdade de Arquitectura de Lisboa, na TUDelft (Rita) e no Politecnico de Milão (Pedro). Em 2002 juntam-se à Fabrica, o centro de comunicação e pesquisa do grupo Benetton em Treviso, Itália, onde coordenaram o departamento de Design 3D durante o ano de 2004. Sediados em Lisboa desde 2005 têm desenvolvido inúmeros projectos em colaboração com entidades, criadores e clientes de todo o mundo. Inspirados por técnicas e formas tradicionalmente portuguesas, o trabalho do estúdio passa muitas vezes pelo olhar atento relativo à cultura material — passado e presente — resultando em projectos singelos e eloquentes. Actualmente também leccionam na ESAD Caldas da Rainha— pedrita.net

Frederico Duarte (1979) studied communication design and worked as a graphic designer in Portugal, Malaysia and Italy. In 2010 he graduated from the School of Visual Arts in New York with an MFA in design criticism. As a design writer, critic and curator he’s been writing articles and essays, contributing and editing books and catalogues, giving lectures and workshops, organizing events and curating exhibitions on design, architecture and creativity since 2006. He is also currently teaches at ESAD Caldas da Rainha and the Faculty of Fine Arts of the University of Lisbon. — 05031979.net

Rita João and Pedro Ferreira are both design graduates from the Architecture Faculty of Lisbon’s Universidade Técnica, having also studied at TU Delft (in Rita’s case) and Politecnico di Milano (Pedro). They joined Fabrica, the Benetton Design and Communication Research Center in Treviso, Italy, in September 2002, where they would head the 3D Design Department in 2004. Returning to Lisbon the following year, they founded Pedrita studio and have since been developing a myriad of projects in collaboration with creative structures, individuals and clients from all over the world. Inspired by Portuguese traditional forms and techniques, Pedrita’s work casts an inquisitive look on material culture — past and present — in projects that are candid and quietly eloquent. Currently they also teach at ESAD Caldas da Rainha. — pedrita.net