Como exemplo da nossa abordagem como designers à Pastelaria Semi-Industrial, elegemos o Pastel de Nata, o mais célebre e exportado bolo português, e a sua família.

Um Pastel de Nata, originado no mítico Pastel de Belém, pode ser de tamanho “normal”, mas também se encontra nas suas verões miniatura e “Natão”. Ele passa a ser um Bom Bocado apenas por substituímos a massa folhada, a matéria do seu “contentor”, por massa quebrada. Mudando-lhe a escala, passa a Tarte de Nata. Mudando de forma, passa a Alsaciano, o qual esconde uma ou mais cerejas cristalizadas não para acrescentar doçura, mas para reduzir a sua densidade, possibilitando uma cozedura homogénea de todo o bolo quando este vai ao forno.

Todas estas variações são exemplos de “redesign”, onde uma forma antiga ganha uma nova interpretação. O mesmo acontece quando um Napoleão se torna uma Josefina: a sua cobertura muda de chocolate de leite para chocolate branco mudando consequentemente a cor e nome do bolo.

Começámos este projecto para descobrir o que está por trás das formas, dos conteúdos, dos ingredientes, dos nomes, das histórias de cada bolo que descobrimos, primeiro com o nosso olhar, e depois com o nosso paladar. Queremos desde então que outras pessoas, dentro e fora do nosso país, façam também essa descoberta, e passem a olhar para um elemento quotidiano da sua vida de outra maneira. E queremos ainda, como designers, poder contribuir para enriquecer o nosso património pasteleiro que partilhamos com o resto do Mundo.

As an example of our approach as designers to Semi-industrial confectionery, we choose the Pastel de Nata and its family.

Literally meaning “creamy pastry”, this is the most famous of Portuguese cakes, but even that comes in several individually named varieties: the original Pastel de Belém, named after the Lisbon monastery, has a thinner dough than the “classic” pastel de nata; the often called “natão” version is the same but extra tall; the “bom bocado” (the “good bit”) has a different type of shell to the usual; the cylindrical “alsaciano” has the same dough container and filling as the bom bocado, but with a crystallised cherry inside (there is a very practical reason for this, and we can explain you later); and finally there is “miniatura” (the “miniature”), a one-bite version of the classic. We are thus in the presence of a classic example of redesign, where an ancient shape gains a new interpretation.

All these variations are examples of “redesign”, where an ancient form gets a new interpretation. The same happens when a Napoleon becomes a Josefine in, let’s say, Porto: this happens when the icing on a Millefeuille changes from milk chocolate to glazed sugar/white chocolate, consequently changing the color and name of the cake.

We began this project to find out what lies behind the forms, contents, ingredients, names and histories of each cake we found, first with our eyes, and then with our taste buds. Since then we want to make other people, in our country and abroad, discover all those things and start looking at an element of our daily life in a different light. And we, as designers, also want to help enrich our confectionery heritage that we share with the rest of the world.